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Desafios


Os maiores desafios que se apresentam a quem recebe a incumbência de reprimir distúrbios, tumultos ou controlar manifestantes, como cumprimento inquestionável e não arbitrário da missão, essencialmente são dois: 1°. Não reação; 2o. Ação comandada.

Não reação é o maior desafio em todas as missões policiais. Basicamente, significa manter seus homens com isenção de ânimos e capazes de não reagirem individualmente diante de insistentes impropérios, agressões verbais e físicas e, outros insultos; a ausência de reação é sempre um grande desafio aos comandantes; na hipótese de qualquer reação policial, isto produz um reprovável quadro particular de comportamento, além de generalizadas e mútuas agressões, envolvendo outros policiais não maculados em razão do inafastável espírito-de-corpo, e, por outro lado, inúmeros manifestantes, ainda não contagiados pela expressão da violência, podendo, repentinamente, exacerbarem-se pelo mesmo sentimento corporativo que existe em todo grupo, além destes se camuflarem pelo anonimato que nestas horas move certos elementos inconseqüentes, tudo decorrente do exercício da arbitrariedade policial, pelo fato de Reagir ao invés de Agir. 

Reagir deriva do instinto animal, normalmente, em razão da sobrevivência, enquanto Agir é uma decorrência do aperfeiçoamento humano, da ciência e das técnicas profissionais condicionadas pela teoria que fundamenta e pela prática que aperfeiçoa. Este inusitado e novo quadro que pode eclodir caracterizando a prepotência foge às premissas do planejamento, fere a disciplina, desacredita, e, a tropa passa de protetora a vilã ou provocadora de distúrbios armados e fardados contra a ordem que deveria garantir. A tropa se envolve e não tem mais condição de continuar atuando, cujos membros devem ser substituídos estrategicamente. Tudo isto faz concluir ainda pela falta de disciplina operacional e a ausência de um preparo psicológico prévio e específico da missão, além de lhes faltar técnicas de reação refratária em todos. Depois que um componente perde o controle e estabelece a sua reação violenta, os demais, via de regra, passam a proceder à semelhança, numa demonstração clara que os papéis ou se inverteram ou se igualaram, isto é, a tropa passa a desempenhar o papel de uma turba, pois não há mais quem a controle, logo se generalizando. O descontrole de um é como um estopim de pólvora, logo se dissipa por todo o tecido. 

É comum uma tropa despreparada se envolver por provocações pessoais adotadas como estratégia radical da turba, enquanto o comandante esmera-se para corrigir, mas em vão. A tropa fez o jogo do adversário e o resultado é um festival de pancadarias e muita violência generalizada, pois é esse o resultado que alguns manifestantes extremados sempre desejam e muitos sabem induzir a esta situação de desequilíbrio. É comum a provocação para que a polícia possa reagir fora da metodologia instituída no planejamento, causando surpresas, desgastes e perdas de controle, desacreditando a missão. Todos sabem que ali estão comandados e devem aguardar o comando para iniciar uma atitude e parar quando já desnecessária, mas este estágio somente será alcançado mediante repetitivo treinamento. Também é prudente que nenhuma ação possa ser iniciada, enquanto no front, pelo menos permaneça um único policial ferido ou maltratado gravemente, evitando surgimento concomitante de múltiplas reações da tropa, isto é, algumas prepotências podem ser levadas a efeito pelos demais policiais não atingidos no mesmo momento que cumprem as ordens recebidas, os quais reagem em cadeia sem qualquer comando e com dificuldades para cessar as arbitrariedades. A presença de um policial ferido pode afetar a saúde de toda a operação. Ao menor ferimento, o policial deve ser removido com a necessária urgência por uma equipe pré-estabelecida, evitando que seu estado de saúde possa influenciar negativamente no psicológico dos demais. Afastar-se em razão de ferimentos é um procedimento que deve fazer parte das instruções de rotina da tropa de choque. 


Uma das grandes táticas para manter os policiais num patamar bem superior é proibir e conscientizar a tropa, envolvendo todos os seus componentes, que ao agir ou mesmo ao "reagir" não passem a correr em perseguição a alguém, gerando pânico, produzindo o estouro da multidão, dispersando a tropa, quebrando a unidade de comando com riscos de policiais serem envolvidos por falta de raciocínio e ausência de segurança à sua retaguarda, com solução de continuidade da missão. Se todos correram isoladamente, o comandante sofrerá o risco de ficar sozinho a mercê da própria sorte e da sua falta de liderança. Se houver perseguição em fuga, sempre haverá pancadarias, violências, desmandos e violações de toda sorte. Quando a perseguição tiver de ocorrer, deve ser orientada e comandada, sendo a missão atribuída a um grupo com treinamento para penetrar na multidão e deter elemento que tenha praticado um grave desatino e seja considerada uma prática relevante e indispensável pelo comandante, compulsória e plenamente justificável diante dos elevados riscos que os policiais executores serão submetidos. Talvez uma equipe fora da tropa formada seja mais indicada para procurar ou seguir alguém em fuga. Antes de adotar esta iniciativa, é necessário presumir as conseqüências.
O segundo desafio, Ação Comandada, é por certeza o mais difícil que se apresenta a quem comanda tropa de choque quando já iniciado algum tipo de embate, controle ou outra interferência de ação comandada mais repressora. Agora tudo depende da iniciativa de quem comanda. Se o comandante não exercer a necessária liderança e domínio, a qualquer instante pode eclodir procedimento comprometedor. O comandante da tropa tem que ser forte e decisivo, mas não arbitrário e seus comandantes subordinados devem ser feitos à sua semelhança, de forma que a tropa esteja sempre sob controle para que suas ações iniciem e terminem exclusivamente mediante ordens, isto é, que as atividades de cada um iniciem e terminem sempre condicionadas aos comandos emitidos por alguma forma de expressão. O fato da tropa ou quaisquer de seus componentes só agirem mediante comando, antes de se tratar de uma mística é uma questão de muita responsabilidade, disciplina, profissionalismo e ainda reflete a competência de quem comanda e o seu compromisso com a missão. A tropa de choque não se encontra postada para Reagir e sim, para AGIR sempre sob comando, quando e se necessário em razão do todo e não dos impropérios insipientes ou vulgares de manifestantes provocadores. Todos têm que estar conscientes de que não podem ser instados a reagir, e sim, a obedecer à voz de comando, que sempre indicará a fração executora, o tipo de ação, o equipamento a ser empregado, o momento e a direção da atividade, que, quando possível, esta ordem será repetida ou complementada por aqueles que exercem função de comando na cadeia que deve executar a ordem emitida verbal ou por outro meio, objetivando sempre a melhor compreensão, enquanto os demais não abrangidos permanecem atentos e restritos aos seus encargos. 

Todos nós conhecemos a expressão "a todo vapor" que um comandante de um navio emite e que é repetida por outro comandante de menor escalão, antes que a ordem seja satisfatoriamente executada. Ex: se o Comandante de uma tropa comandar "Em Guarda!", esse comando deve ser repetido pelos demais comandantes, salvo se tenha sido designado qual fração fará este movimento com a arma, etc. Tudo isto pode ser até teórico, porém é a maior tática que se pode impor para evitar violências e outras violações desenfreadas, lógico, exigindo de todos, um bom treinamento anterior, afinal de conta, nada se pode fazer sem antes aprender a executar. A forma direta de se alcançar este estágio é um treinamento constante, envolvendo comandantes e comandados para que todos conheçam a firmeza, a voz, os gestos, as atividades e agilidades de cada um, mutuamente. O momento certo para iniciar uma ação repressiva, se necessária, deve ser precedido de muitos planos mentais e contatos rápidos com os subordinados imediatos e outros que vão exercer tarefas especiais mais específicas, para que todos fiquem atentos. É comum, numa missão de dissuasão, a presença de um chefe que a tropa desconhece o timbre de sua voz, não identifica firmeza nos seus gestos capazes de gerar confiança, não decodifica a expressão facial como linguagem de comando, isto porque esses chefes locais pertencem à outra unidade ou não se envolvem nas tarefas de treinamento; tudo isto apresenta um grande potencial para o insucesso, deixando todos inseguros e sem determinação. O policiamento de choque é mais do que uma simples reciclagem ou só uma formação policial, ele exige de todos uma vocação e dedicação, e, aquele que não for vocacionado não sabe e nem acha fácil exercitá-lo.


Comandar tropa de choque difere na sua essência do policiamento ostensivo de rotina, o qual, geralmente é disperso sozinho pela malha viária ou lugares de aglomerações do cotidiano e em outros tipos de populações flutuantes, que, normalmente, não são organizadas, e, quando são, a causa pode ser um motivo político-administrativo, esportivo, social ou religioso, sempre com um caráter essencial definido, convencional, aceitável ou presumivelmente pacífico, sem a presença inflamada de lideranças de massa e nem de manifestantes para protestar, exceto raríssimos casos; ao contrário, a tropa de choque quando mobilizada estará sempre formada, e, a presença do comandante é uma necessidade e uma decorrência do aparato e das peculiaridades da missão. Os comandos subordinados sempre observam as atitudes, postura, movimentos e expressões corporais do seu comandante, portanto, no front, como em nenhum local, não pode externar qualquer sinal de intranqüilidade, fraqueza, humildade e nem de indecisão, muito menos de imprudência ou arrogância. Tudo altera o comportamento da tropa, interferindo nos resultados. O comandante é responsável por tudo e por todos e por aquilo que faz ou deixa de fazer. Os gestos, palavras e ações devem transmitir exclusivamente muita confiabilidade aos seus diversos comandados, não podendo deixar dúvida, influenciando essencialmente no psicológico, não só da tropa, sobretudo, nos manifestantes e curiosos, traduzindo segurança e certeza de êxito, edificando a ordem entre todas as partes. Portanto, tudo deve ser exercitado no sentido de pleno controle do seu contingente, principalmente, quando e como fazer e parar. A tropa de choque tem tempo certo de atuação, só justificando sua presença enquanto houver qualquer ameaça à ordem e à tranqüilidade pública, sobretudo, provocada de forma organizada, quaisquer que sejam os seus autores.

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