| Via Expressa, um fator
antiviolência.
“Construção de Vias Expressas como fator de redução da criminalidade em
áreas de risco. Estradas de Suporte da Segurança e um fator antiviolência”.
Via Expressa. O nome e o conceito já estão em todas as principais cidades e
a população já conhece os seus benefícios no tráfego. No elenco de medidas
que possam contribuir para aliviar a violência pesada em grandes áreas
físicas definidas e limitadas pelos acidentes geográficos e pela dependência
ao crime, onde todos asseveram fidelidade à delinqüência, cujos espaços
ocupados estão estigmatizados em razão da criminalidade dominante e que é
protegida pela cumplicidade, a exemplo de algumas certas favelas e outros
aglomerados urbanos, agora, insere-se um item que não se relaciona
diretamente com o poder de polícia, e sim, com o tráfego terrestre, mas que
através dos tempos também tem se revelado muito eficiente para a qualidade
da segurança, por permitir melhor fluidez das composições policiais,
agilizando atendimentos urgentes, bloqueio de fugitivos e de outros
delinqüentes, além de rondas preventivas de rotina. A iniciativa é uma
medida estratégica de largo alcance que terá o respaldo da população.
Trata-se de um processo de urbanização das áreas faveladas, especialmente,
pela construção de grandes avenidas equipadas com estrutura de segurança
pública, conduzindo e alinhando políticas sociais, esforço policial e
técnicas de engenharia rodoviária que confrontem à violência, dividindo
segmentos delinqüentes para enfraquecer a suposta força da violência
criminosa, até porque, ao longo dos tempos, medidas severas têm se mostrado
ineficientes para represar o crime pesado organizado.
A diferença de uma via expressa já existente e outra construída como suporte
da segurança é que na primeira, a sua finalidade precípua é a dinâmica do
tráfego, por conseqüência, arrastando crescimento para a região como vocação
natural da evolução do movimento através dos tempos, enquanto que no novo
paradigma proposto, via expressa como fator antiviolência, além de preservar
as mesmas configurações de interesse viário de uma via similar e albergar
todas as funções inerentes a qualquer artéria viária de construção moderna,
nesta nova concepção, seu leito caminha predominantemente na direção das
grandes favelas, afastando-se da teia viária do perímetro urbano, cruzando
áreas impenetráveis, locais dominadas pelo império da criminalidade
organizada, integrando essas áreas críticas à cidade como um todo e
enfraquecendo aquelas forças antagônicas pela divisão demográfica que o
leito da avenida impõe, especialmente, a via ainda servirá de caminho para
se levar oportunidades sociais pré-planejadas, escoando desenvolvimento,
treinando profissionais e reciclando conhecimentos, resgatando a cidadania
como investimento de futuro para o engrandecimento da população mais
sofrida. Como via expressa, ela também estimula o trânsito pela sua maior
capacidade de fluidez favorecida pela concepção de modernos equipamentos de
segurança viária, conquistando o tráfego doméstico e de uma população
flutuante, principalmente, em razão da via receber estrutura adequada também
à circulação e a ocupação por aparatos policiais de ações eficientes, como
suporte no processo da busca de informação e contenção de atos criminosos em
toda região. Doravante, nenhum projeto de construção de qualquer estrada ou
via urbana coletora e de distribuição de tráfego não pode prescindir de uma
estrutura de apoio às atividades de segurança pública, como característica
de construção rodoviária.
Pelo advento dessa nova estrada de suporte penetrando em territórios quase
independentes, com suas regras próprias invioláveis, portanto, muito
inacessíveis pela coesão do crime que se protege, e à medida que se edificam
as primeiras etapas sob a proteção policial, aos poucos surge a
possibilidade de desmistificar o adversário ocultado pelo aglomerado
habitacional denso e desordenado, doravante, separando e enfraquecendo o
corporativismo delinqüente em ascendência e que é preservado pelo anonimato
de seus membros e protegidos pela lei do silêncio, logo, fragmentando a
unidade do crime e dos criminosos, desequilibrando-os, tudo como resposta de
uma ação com arquitetura policial planejada como defesa urbana, integrada à
segurança pública.
O novo modelo de Via expressa caminhará por esses territórios de valores
deprimidos pela ação do crime, estabelecendo suprimentos técnicos
permanentes de apoio às ações e operações policiais de inteligência,
vigilância convencional e eletrônica, controle e repressão voltados para a
segurança pública da região pelo combate eficiente ao crime organizado, ao
mesmo tempo levando e edificando estabelecimentos privados e equipamentos
públicos sociais básicos previamente programados para a aceleração do
desenvolvimento humano e regional, crescimento urbano, opções de lazer e
saneamento básico. Isto faz contrapor a concepção criminosa ainda latente,
como cultura do meio e de uma área de difícil acesso, imposta que é pelo
pseudopoder paralelo favorecido pela ausência do Estado, embora combatível,
despertando em muitos cidadãos, o seu potencial de crescimento ainda
adormecido, como conseqüência de um novo perfil político-administrativo,
enquanto evidencia padrões de confiabilidade recíproca entre governo e
comunidade então esquecida ou nada cultivada, e, todos unidos, tudo fazendo
pela difícil, árdua e ampla luta sem trégua contra a violência instituída
como uma atividade quase compensadora ou opção de vida adotada por segmentos
estigmatizados, em razão de uma histórica pobreza ou miséria absoluta, em
muitos casos, pela plena ausência de oportunidades.
Com um projeto viável na mão, uma estrada e vontade política com
determinação de estadista, pode-se ganhar essa guerra contra o crime
“organizado”, o qual também não é perfeito e nem unânime, muito menos,
“organizado” o suficiente para se eternizar e reagir a tudo o tempo todo. O
criminoso não é um homem inteligente, e não o é com certeza, apenas, ousado
e inconseqüente, hoje, com massa delinqüente inumerável, gerando ações
anônimas, disso tirando proveito. É sabido que o crime “organizado” faz
presumir a existência de uma polícia desorganizada. Desorganizada, não na
sua estrutura, mas nas suas políticas e nas suas ações enquanto
improvisadas, isoladas, individuais, em razão de conveniências,
desinformadas e com carência de planejamento, em fim, utópicas e empíricas.
Agora, uma cousa é aceitável, desorganizar uma polícia pode ser a estratégia
principal utilizada pelas falanges criminosas, quaisquer que sejam os
matizes, para a sobrevivência do sistema delinqüente, mesmo que seja
surpreendendo-a com um forte enfrentando audacioso armado como afrontosa
forma de receber a polícia que chega ao território dominado,
desestruturando-a, camufladas que elas estão pela ausência de um sistema
viário, com acesso sinuoso vertical e inviável ao tráfego pelas péssimas
peculiaridades do traçado urbano local, o qual se reserva aos interesses do
crime. Tudo isto faz impor o pavor e a intimidação junto aos policiais e à
sociedade, ou, por outros tentáculos insidiosos dessas falanges e de outros
estamentos criminosos, todos procurando neutralizar o poder de polícia de
alguns membros vulneráveis mediante recompensas passivamente aceitáveis que
corroem os valores éticos e profissionais, corrompendo-os, subjugando-os aos
interesses subalternos de uma sociedade criminosa na corrida pelo topo do
poder econômico a qualquer custo.
Esta escola de abrir caminhos longos e largos ou bulevares para o fluxo da
segurança pública como prática da urbanização planejada para o
engrandecimento das cidades, notadamente em resposta à violência que gera
insegurança preocupante, é de patente parisiense e remonta da segunda metade
do século XIX, surgida na administração do Barão Haussmann, e a história
registra que sua iniciativa serviu de modelo para o mundo em desenvolvimento
de então e muito válida no presente, especialmente, para as grandes capitais
brasileiras, também, influenciadas ainda no século XIX. Segue um comentário
correspondente a esta matéria.
Comentário:
No geral, as estradas são construídas para atender aos vários interesses
públicos; umas são projetadas para integrar as regiões, aproximando-as,
outras para incrementar o turismo e o escoamento da produção, algumas para
ligar estradas entre si, todas, para viabilizar o tráfego terrestre entre
outras funções urbanas e econômicas. Aqui, abre-se uma via para melhorar as
condições de segurança da cidade, aliás, com características bem
específicas, em razão dos objetivos e da região que atravessará. A
denominação a ser dada não interfere no resultado, pode ser Via Expressa,
Avenida, Rodo-social, Bulevar, Estrada, Auto-Estrada, Trânsito Rápido,
Rodo-anel, Rodovia, Linha, Via ou seja qual for o título; pode até utilizar
o nome de alguém para homenageá-lo. Se já existir outra na cidade, melhor,
até porque elas se completam, pois este novo logradouro será projetado sobre
regiões de alto risco para a segurança pública, com características
próprias, para o alinhamento de políticas públicas, esforço policial e
técnicas rodoviárias que confrontem à violência. Ninguém pode discordar que
abrir caminhos é a melhor saída para os problemas que se instalam ou que já
fazem parte da rotina, e a abertura de uma estrada de referência em área de
risco pode ser a porta por onde se adentram e se direcionam a segurança e a
esperança, com possibilidade de desviar muitas pessoas das atividades
criminosas, mesmo que impostas pelo radicalismo delinqüente. Qualquer
avenida por onde trafegam veículos, também é uma via por onde se escoam
oportunidades, inclusive, pode contribuir para civilizar muitos entes. Às
funções abrigadas por uma rua ou avenida, como a separação das propriedades,
coleta de lixo, melhoria da aeração, iluminação natural e pública, coleta e
distribuição de tráfego de veículos e pedestres, canalização de
infraestruturas como fiação elétrica e telefônica, gás, água e esgoto,
agora, mais do que nunca, insere-se a segurança pública com mais efetividade
e tecnologia.
A sugestão trata da construção de largas e longas avenidas, vias expressas
ou bulevares como elementos de redução da criminalidade, abertas através de
impenetráveis ocupações com história de incidência de delinqüentes crônicos
e ortodoxos, especialmente, atravessando favelas com grandes adensamentos
demográficos com grave incidência criminosa, ou, simplesmente, cruzando
bolsões de pobreza, que, neste caso, atuará mais como medida preventiva em
áreas ainda menos agressivas, sempre beneficiando-as, cujas características
técnicas rodoviárias, em qualquer caso, além de atender à moderna
superfunção do trânsito, também deve manter seu eixo orientado na direção da
metamorfose regional, como suporte de equilíbrio das defasagens sociais
acumuladas pelo tempo e pelo descaso. Concomitantemente, serão detectadas as
diversas inquietações pessoais e populares, despertando as autoridades para
os problemas, cuja análise e diagnóstico servem de termômetro para
prescrever medidas sanativas equivalentes, legais ou sociais, contudo, sem
prescindir da iniciativa do exercício policial em prática a qualquer tempo.
Especificamente, não está sendo discutido um processo global da urbanização
mais instantâneo, pois, a urbanização sempre tem começo, mas não tem fim,
apenas sugerindo, principalmente, traçados de grandes e largas avenidas que
possam atravessar, separar, cruzar, unir e integrar estes contingentes
satélites à cidade como um todo. A idéia pode ser válida não só para o Rio
de Janeiro e São Paulo como centros urbanos maiores e mais complexos, mas
para todo o País, pois o problema é um só em qualquer Estado. Na verdade, a
construção de uma nova grande avenida seguida de outra que facilitam o
tráfego e separam convivências fechadas, também decorrem vários outros
benefícios para os moradores locais e para a população como um todo. Uma
coisa surge dessas construções de suporte como benefício direto para a
segurança pública, o eixo rodoviário reduz o anonimato delinqüente,
fotografa a realidade e exorciza os fantasmas da violência, desmistificando
o pseudopoder paralelo.
A propósito de vias expressas como estradas de suporte da segurança, este
novo traçado poderá apresentar estruturas de apoio às operações policiais de
rotina, tais como, áreas de recuo ampliadas às margens e ao centro para
estacionamentos e paradas de grandes aparatos policiais, sinalização
específica, pontos de observação aérea, módulos para apoio ao pessoal de
serviço, faixas de tráfego lento à direita para vigilância em alguns
trechos, retornos estratégicos, postos de observação visuais e eletrônicos,
radares para identificação de veículos especialmente velozes ou em formação
de comboios suspeitos, telefones para ligação exclusiva com setores da
segurança central e local, contagem eletrônica de tráfego em áreas
seletivas, monitores manuais para controle de velocidade quando da ocupação
policial no trecho e outros apoios eventualmente necessários. Pode aí surgir
no País, uma tecnologia viária de segurança pública, que transcende à
simples segurança de trânsito e de construção de estradas.
Para saldar dívida social e modificar comportamento indomável, nestas horas
não se pode argumentar falta de orçamento e nem esbarrar nas características
geográficas de terreno difícil em algumas regiões por onde possa deslizará o
leito a ser projetado, pois a literatura rodoviária é rica de antecedentes
que não dobraram caminho para alcançar objetivos mesmo já no passado e até
no nosso território, também desconhece obstáculos para o traçado de curvas
horizontais e verticais, até porque nos presentes dias, diante da evolução
da ciência e do aperfeiçoamento das modernas técnicas de construção de
estradas nada é impossível, carecendo apenas de vontade política, até por
que o motivo é nobre. A abertura dessas vias unificadoras também permitirá
ao policial conhecer melhor o inimigo ou adversário da sociedade, como uma
estratégia de polícia preventiva, pois, se não houver presença policial não
se pode prevenir, da mesma forma que, sem informações também não se pode
combater o opositor, e sem caminho não se chega a lugar nenhum, senão ao
fracasso. Portanto, ainda continua válido o lema de governo ”Governar é
construir estradas” atribuído ao então Presidente do Brasil Washington Luís
Pereira de Sousa (1926 – 1930). Só que agora, uma via com um novo design e
um conceito mais moderno, adequando funções eminentemente sociais, além
daquelas específicas do tráfego. Provavelmente, investir na urbanização,
pela abertura de vias terrestres de suporte, digamos, uma Rodo-social, sairá
menos oneroso com retorno muito mais construtivo e animador do que os
projetos virtuais para a atmosfera dos sistemas carcerários para dificultar
as comunicações dos celulares com a tecnologia de hoje, que nada contribuirá
para reduzir a violência e só penaliza o contribuinte, comprometendo o
erário. Na verdade, em termos de delinqüência carcerária, o problema reside
mais na qualidade das administrações públicas do que no imediato controle
entre os paredões das cadeias.
Estas grandes vias que possam atravessar áreas consideradas deprimidas pela
qualidade social de alguns dos seus moradores tornam-se também pólos
geradores de tráfego de população flutuante, despertam interesses
imobiliários, a área de domínio recebe novas fachadas arquitetônicas, chegam
novos moradores, surgem sistemas viários adjacentes e outros cruzam a via em
qualquer nível, edificam-se conjuntos habitacionais populares, a princípio,
logo carreiam instalações empresariais de apoio automotivo e de lazer,
surgem centros comerciais e pólos industriais, principalmente, fazendo com
que os moradores respondam aos novos estímulos, conforme prescreve o projeto
para cada trecho. A esperança desembarca. Imprime-se a idéia de emprego e
renda. Ninguém precisará mais se envolver com receptação para usufruir bens
de consumo. A via expressa é uma medida que se contrapõe à idéia de que o
crime cresce também com o desenvolvimento urbano o que não é uma regra,
embora ainda que disseminada no nosso país, visto que a estrutura social
viabilizada pelas perspectivas desses caminhos com novas definições,
afastado o clientelismo, tem como finalidade a identificação dos desafios
dos mais necessitados do componente humano com poucas oportunidades, como
dizem os poetas “ ...Que vai em frente Sem nem ter com quem contar...”
(Garoto, Vinicius de Moraes e Chico Buarque), visando adequar aplicação de
recursos públicos, ocasionando melhores benefícios para a melhoria da
qualidade de vida, fomentado a auto-estima. Uma estrada com este design não
é só um caminho que leva à Roma, conduz também à satisfação pessoal e
coletiva. Com um mapa, uma estrada, boa vontade, persistência e determinação
pode-se ganhar essa guerra, sem que ninguém possa ser derrotado, senão um
golpe de mestre no crime em ascensão. É a Engenharia Rodoviária também a
serviço da segurança como um todo, até porque a segurança pública é tão
complexa que não pode ficar adstrita só à polícia e nem só ao Estado como um
todo, ainda que não se possam dividir responsabilidades e sim incrementar
participações procedentes, portanto, é uma atividade que compulsoriamente
tem que ser compartilhada para que os resultados sejam animadores. A estrada
de suporte é um equipamento duradouro muito mais edificante do que as
volúveis “forças-tarefas” que, se historicamente não tenham fracassado, pelo
menos, pouco acrescentaram, e, ultimamente, tais forças editadas como
estratégia política, seus matizes só incidem ofuscando outras cores
cintilantes que se tornam menos brilhantes, servindo mais para dificultar a
identidade da autoridade responsável pelo problema local, inviabilizando a
cobrança de responsabilidade, confundindo a todos. É preferível exigir
resultados de quem detém o poder da segurança local e até procurar
orientá-lo nas suas possíveis limitações, a conviver com o desencadeamento
de uma intervenção branca pendular, com uma clara divisão do poder,
golpeando a necessária unidade na chefia da segurança perante as
corporações, a população e a justiça no futuro; se estas boas “tarefas” são
realmente necessárias, é melhor proceder nos limites constitucionais, pois
para isto existe previsão no texto da Carta Maior.
A abertura dessas vias é uma medida que deve ser inserida na política de
urbanização constante para o universo das favelas, especialmente, pela
construção simultânea de vários logradouros e outras largas e prolongadas
avenidas como suporte da segurança que atravessem territórios dominados
pelas células do crime organizado, cujas organizações criminosas são
protegidas pela dificuldade de acesso geral e pela baixa incidência de uma
sistemática circulação de segmentos da segurança pública e outras atividades
da polícia, sempre escudadas pelo anonimato dos criminosos integrantes
dessas facções, tudo compartilhado pela cumplicidade de segmentos suspeitos
da população, caracterizada pela benevolência e simpatia de uns ou pela
ditadura do medo atuando em outros, os quais permanecem na condição de
intimidados, na situação de escravos a serviço da violência
institucionalizada, sem direito a opção, senão, a de permanecerem calados e
sitiados, pois, sozinhos não encontram saída fácil. Esta obscura realidade
tem que ser descortinada e a urbanização pode ser uma grande aliada, pois
além de ajudar a mostrar o erro literalmente, seus caminhos podem indicar
soluções.
A separação física ocasionada por qualquer via terrestre planejada para
separar territórios dominados, que pode até enfraquecer resistências antes
fortalecidas pelo adensamento populacional quase impenetrável pela coesão e
pela cumplicidade, também desequilibra e causa fissura no tecido criminoso,
o qual possa se encontrar sob o signo da unidade delinqüente, logo
comprometendo decisivamente, todo o conjunto adverso às leis. O projeto pode
até ser grande, mas não é maior do que o erário que o Estado desperdiça
anualmente em vão para tentar adentrar às cercanias do crime e solucionar os
graves problemas resultantes do tráfico e consumo de drogas, com os
condomínios carcerários, das balas perdidas causando vítimas inocentes e
inviabilizando para as ocupações habituais, com o contrabando de armas e da
criminalidade generalizada que se dissipa impondo o terror no seio da
população sempre desprotegida. Com o projeto em pauta, maior será o
movimento de todos rumo ao equilíbrio da sociedade, observado a médio e
longo prazo, minimizando desgastes para as gerações futuras, evitando que
essas paguem o alto preço pelo descaso social de seus antecessores.
Difundida a notícia do planejamento da construção, progressivamente poderá
ser restabelecido o exercício de controle pelo poder público sobre os
segmentos que serão tecnicamente fragmentados pela influência da via,
fortalecendo e integrando as regiões e marcando a presença do Estado. Estas
construções, também atuam preventivamente, minimizando a possibilidade de
maior incidência delinqüente nas aéreas ainda não dominadas pela
criminalidade. Prontamente, essas possíveis avenidas serão integradas à
complexa teia viária das cidades e das Áreas Metropolitanas, com repercussão
para todo o espaço inserido nas fronteiras do Estado, tornando-se,
irreversivelmente, verdadeiros corredores de tráfego, escoando o progresso,
ampliando as alternativas para a fluidez, enquanto faz carrear instalações
com outras fisionomias arquitetônicas, edificação de atividades lícitas e
produtivas, que ao longo dos tempos foram inviabilizadas pela violência, em
razão da vocação de certos moradores. Até mesmo o aparelho policial, em
parte responsável pelo caos instalado, hoje mostra-se recuado e temeroso,
realizando apenas visitas esporádicas, caracterizadas por incursões de
batalhões policiais com aparatos de guerra ofensiva, contundentes, com
numerosos contingentes repressivos ao extremo, que ao invés de solucionar,
sempre inaugura mais um teatro de violência, cujos resultados são contados
em números de tiros, feridos e mortos, fato que merece o repúdio de todos.
Com o advento de uma estrada expressa cruzando diametralmente as áreas de
morro sugere que a polícia utilize menos a tática de cercar os segmentos
favelados para proceder suas diligências e operações de controle, passando a
utilizar mais a estratégia de infiltração em toda a plenitude da área
desejada, antecipando-se às práticas criminosas por uma vigilância
preventiva, minimizando as prisões e causando menos vítimas, visto que a via
que atravessa permite que os policiais permaneçam ocupando espaços, também
viabilizando conquistar simpatizantes pela troca de cordialidades e
confiabilidade mútua, traduzindo em obtenção de informações policiais
seguras e com muita credibilidade, pois as fontes selecionadas são idôneas e
fazem com conhecimento e responsabilidade.
É importante consignar, que as favelas fechadas mesmo que não estejam sob o
signo da delinqüência, mas que apresentam muita restrição de acesso,
permitem um ambiente semelhante à guerrilha, pois é de difícil acesso e de
fácil defesa. Historicamente, e isto data do tempo medieval, a existência de
emaranhados becos e ruas estreitas e desalinhadas em razão das casas terem
precedido às ruas sempre facilitaram a ocorrência de motins urbanos,
barricadas e outras delinqüências próprias de cada época e de cada área.
Aberta uma grande via expressa, em curto tempo se estabelecerá um
satisfatório quadro urbanístico, a partir da formação do desenho geométrico
viário pré-planejado, ofertando novo rumo às construções populares
desordenadas e existentes ou que venham ser edificadas, advindo e permitindo
a progressiva instalação de equipamentos públicos diversos, como a
localização de quartéis, hospitais, escolas e outros apoios sociais de
interesse geral, facilitando a presença do Estado por seus órgãos
especializados, sobretudo, quanto à efetiva segurança na área.
Como precedentes desse princípio urbanístico, é bom que se exalte a
influência de Paris do século XIX para o resto do mundo, especialmente para
as principais capitais brasileiras, quando o Barão Haussmann à frente da
prefeitura daquela cidade, função que exerceu no período 1853-1870, produziu
transformação pela abertura de bulevares e construção de parques e outros
monumentos igualmente importantes, cuja reurbanização deveria atender
especialmente a salubridade, a ordem pública, a economia e o prestígio da
cidade. Nas suas medidas de segurança, Georges Haussmann pretendia melhorar
o deslocamento das tropas militares e forças policiais para uma melhor
defesa da cidade. Segue uma exemplificação nacional, mas que poderíamos
citar inúmeras outras, pois todas as capitais brasileiras foram
influenciadas por Haussmann: Inspirado nas realizações de Haussmann, então
Prefeito de Paris, como logo aconteceu nas nossas grandes capitais, à época,
o grande Intendente Antônio Rodrigues Ferreira (1875) encomendou ao
engenheiro pernambucano Adolfo Herbster uma planta topográfica para a cidade
de Fortaleza, marco inicial da sua modernização, o qual, entre muitos
benefícios, dotou a cidade de três bulevares, que são as atuais Avenidas D.
Manuel, Imperador e Duque de Caxias, cujo traçado favoreceu a circulação das
pessoas e produtos, também viabilizando medidas de segurança, por facilitar
a fluxo de policiais.
Este processo urbano voltado para o crescimento e prestígio das áreas
desgastadas e também dirigido para a melhoria da segurança, decorrente das
idéias “haussmannianas”, que, tecnicamente, existe há dois séculos e que
serviu de escola para as cidades em desenvolvimento, principalmente
brasileiras, também foi e é muito cantado em verso e prosa pelos poetas,
sugerindo uma reparação, quando afirmam que “...quando derem vez ao morro
toda cidade vai cantar, vai cantar...”, (Tom Jobim e Vinicius de Moraes),
enquanto outros dizem “...vivia no mundo a sonhar com cousas que o morro não
tem...” (Jair Amorim e Dunga), cujos motes há muito sugerem uma sinfonia
urbana inadiável, antes que a criminalidade se instale irreversivelmente e a
polícia tenha que depor suas armas e negociar com os chefes do crime, por
não saber reverter o quadro. Se o morro ainda está assim, não é assim que
deve ser visto, mas, como mirante para as oportunidades. O morro, como
acidente geográfico que é, tem visão privilegiada por Deus e para ser visto
por quem saiba enxergar longe. As Vias Expressas poderão declarar que o
morro também não será mais um beco sem saída, pois haverá via de mão dupla,
Lato sensu, por conseqüência, influenciando também o tecido social como um
todo. Toda dificuldade é o próprio carburante da solução. Isto posto,
qualquer que seja a estrofe e o concerto, pensar mais no crescimento urbano
integrado é também priorizar a segurança e a humanização das cidades, uma
vez que o centro dos acontecimentos urbanos de algumas urbes deixará de ser
sitiado por impenetráveis territórios ou cidades satélites do crime, que vão
se aglomerando desordenadamente, constituindo um crescente e perigoso
“coeficiente de pressão” contra a população e o Estado, cujas regiões, antes
chamadas de periferia, hoje, perímetro do crime, onde, até a polícia, de
muitas se afasta, enquanto isto, o crime se instala na prática e na
consciência de muitos como um fato de rotina e sem censura, e até como
sobrevivência de alguns, tudo, pela negligência pública crônica.
Manoel Damasceno
Atualizações em julho de 2007.
www.brasilseguranca.com.br
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